Coleção: Deserto - Ilha Dourada

Vídeo © Mafalda Salgueiro

 

Era apenas uma viagem de família, à ilha dourada de Porto Santo. Conhecemos sítios lindos e a imponente e silenciosa paisagem, cheia de histórias esquecidas e num ambiente tão natural e puro, levou-me a desenhar com tanto significado cada uma destas peças.

 

A terra e os seus fenómenos naturais fizeram-me sentir como nós também somos feitos de camadas que nos sustentam.

 

A simplicidade das camadas de areia, deixadas pelo vento, originam paisagens admiráveis. Cada peça desta coleção foi desenhada a partir de um gesto de escuta — da paisagem, das histórias e das memórias da ilha. Carregam em si a energia deste deserto, a fluidez do vento e a força das origens.

Encontrarás aqui a leveza e o conforto de tecidos respiráveis, orgânicos e biodegradáveis.

Matérias tão naturais quanto a terra que nos sustenta.

Peças com alma, criadas com intenção, que vestem o corpo com presença.

 

 



 

Conjunto Ana Ferreira — um top assimétrico em linho e seda que conjuga com uma saia curta e em evasé de seda pura, antiga e estruturada.

Homenagem à mulher que deu nome ao Pico Ana Ferreira.

Conta a lenda que Ana, filha bastarda de D. João II, foi enviada à ilha por comportamentos “fora da norma”. Isolada no pico, abrigava-se das invasões e, segundo a sabedoria popular, teria até dons ocultos. Esta peça celebra o mistério, a força feminina e a liberdade.

 

 

 

 

Lâmina — saia longa com abertura frontal, em linho suave, forrada com algodão e colete de linho recortado.

Inspirada nas formações de areia laminadas pelo vento, estas peças exploram a suavidade da estrutura e o ritmo da erosão, num equilíbrio entre firmeza e leveza.

 

 

 

 

Ventos Cruzados — jumpsuit em linho com tiras em jacquard coloridas.

Evoca as raízes fossilizadas e os ventos cruzados do deserto. Uma peça que envolve o corpo como uma dança entre o tempo e a terra.

 

 



Fotografias por © Matilde Viegas

 

Zarcos — vestidos, curto e longo, em lyocell de duas cores que se entrelaçam entre o exterior e o interior com acabamentos em cetim dourado.

Inspirados na chegada do navegador João Gonçalves Zarco à ilha, em 1418. Porto Santo foi refúgio numa tempestade — e esta peça é também um refúgio: leve, elegante e ancorada na história.

 

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Deserto – Ilha Dourada não é só uma coleção:

É uma inspiração que desenvolve a relação entre o corpo, a alma e a terra.

É uma forma de estar. De lembrar. E de honrar as origens portuguesas com calma e beleza.

 

 

 

 

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